Taxa de absenteísmo no SUS: como calcular e 7 medidas para reduzir as faltas

Como calcular a taxa de absenteísmo em consultas e exames do SUS, o que os estudos mostram sobre o problema, por que os pacientes faltam e sete medidas práticas para reduzir as faltas no município.

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Taxa de absenteísmo no SUS: como calcular e 7 medidas para reduzir as faltas

Toda consulta ou exame especializado que fica vago porque o paciente não compareceu representa duas perdas ao mesmo tempo: a capacidade já organizada (profissional, sala, equipamento e, às vezes, transporte) que fica ociosa, e o paciente da fila que poderia ter sido atendido naquele horário. É o absenteísmo — e conhecer a taxa de absenteísmo no SUS do próprio município é o primeiro passo para reduzi-lo.

Com a nova Política Nacional de Regulação do SUS, o tema ganhou ainda mais peso: o percentual de absenteísmo em atendimentos regulados na atenção especializada está entre os indicadores mínimos previstos para o monitoramento da política, que terão metas definidas em atos específicos (Portaria GM/MS nº 9.262/2025, art. 56). Neste guia, mostramos como calcular a taxa de absenteísmo, o que os estudos dizem sobre ela e quais medidas costumam reduzir as faltas.

O que é absenteísmo na saúde pública

Absenteísmo é o não comparecimento do paciente a uma consulta, exame ou procedimento previamente agendado, sem aviso prévio. A definição adotada pelo município de Bertioga (SP) no Decreto nº 5.147/2026, que instituiu uma política municipal sobre o tema, é um bom exemplo: "ausência do usuário a consultas, exames ou procedimentos previamente agendados, sem comunicação prévia ou justificativa".

É importante não confundir com o absenteísmo de trabalhadores (faltas de servidores), um indicador de recursos humanos com o mesmo nome. Aqui, falamos do paciente que não compareceu.

Como calcular a taxa de absenteísmo

A forma mais comum de cálculo é:

Taxa de absenteísmo (%) = (número de faltas ÷ número de atendimentos agendados) × 100

No denominador, considere os agendamentos mantidos até a data, excluindo os cancelados com antecedência, e registre os cancelamentos em um indicador próprio.

Exemplo: se uma especialidade teve 400 consultas agendadas no mês e 96 pacientes faltaram, a taxa é de 96 ÷ 400 × 100 = 24%.

Alguns cuidados tornam o indicador mais útil para a gestão:

  • Separe faltas de cancelamentos avisados. Um cancelamento com antecedência permite reaproveitar a vaga; a falta sem aviso, não. Contar os dois juntos esconde o problema real.
  • Calcule por especialidade, unidade e tipo de procedimento. A média geral costuma esconder grandes diferenças. No estudo de Beltrame et al. (2019) sobre a Região Metropolitana do Espírito Santo, citado abaixo, a taxa de absenteísmo nas consultas variou de 26,4% (cancerologia cirúrgica) a 75,9% (fisioterapia geral), sem contar uma especialidade com apenas três agendamentos e nenhuma falta.
  • Acompanhe a série histórica. Medir mensalmente permite ver se as ações de redução estão funcionando.
  • Confira o registro de comparecimento. Pesquisadores alertam que falhas na baixa dos atendimentos realizados no sistema de regulação podem superestimar as faltas.

Para traduzir a taxa em dinheiro, multiplique o número de faltas pelo valor de referência de cada procedimento. A Geni disponibiliza uma calculadora gratuita de prejuízo do absenteísmo que faz essa estimativa a partir do porte do município, do volume mensal de consultas e exames, da taxa de faltas e do custo médio por procedimento.

Qual é a taxa de absenteísmo no SUS?

Não existe um número nacional único — a taxa varia muito entre municípios, especialidades e períodos. Os estudos disponíveis, porém, mostram que o problema é relevante:

  • Na Região de Saúde Metropolitana do Espírito Santo, com 20 municípios, um estudo com dados do SisReg de 2014 a 2016 encontrou absenteísmo de 38,6% nas consultas especializadas e 32,1% nos exames especializados. Foram 257.025 consultas e 108.103 exames não realizados, com desperdício estimado pelos autores em cerca de R$ 18,6 milhões no período — valor que eles próprios recomendam relativizar, por limitações da base de dados.
  • Outro artigo, com a mesma base de dados e parte dos mesmos autores, detalhou a evolução anual: nas consultas especializadas, o absenteísmo subiu de 36,9% em 2014 para 39,8% em 2016; nos exames, caiu de 34,3% para 29,7% no mesmo período.
  • Em fevereiro de 2026, ao lançar o envio de avisos de consultas e exames pelo WhatsApp, o secretário de Saúde do Espírito Santo estimou que o absenteísmo gira em torno de 30% no SUS capixaba.

Há municípios e períodos com taxas bem menores, mas os dados mostram que índices acima de 30% em consultas e exames especializados já foram registrados em grandes regiões. Se o seu município ainda não mede, vale começar: sem o número, não há como saber o tamanho da perda.

Por que os pacientes faltam

As causas apontadas pelos estudos se repetem em diferentes regiões:

  • esquecimento — o motivo mais relatado pelos próprios usuários, segundo um trabalho que revisou estudos das regiões Sul e Sudeste;
  • falhas de comunicação e de registro, como paciente que não foi avisado ou dados de contato desatualizados;
  • longo tempo de espera, que faz o paciente melhorar, piorar e buscar a emergência ou a rede privada, ou desistir;
  • dificuldade de transporte e de locomoção, como falta de dinheiro para a passagem, perda do ônibus ou limitações causadas pela doença;
  • horário que coincide com outro compromisso;
  • atendimento já realizado em outro lugar.

Há ainda uma perda que não aparece como falta: o paciente que comparece sem o preparo adequado, como o jejum, e não consegue fazer o exame.

Como reduzir o absenteísmo: 7 medidas práticas

1. Avise e peça confirmação

Lembretes por mensagem ajudam. Uma revisão sistemática da Cochrane (2013), com oito ensaios clínicos e 6.615 participantes, concluiu — com evidência de qualidade baixa a moderada — que lembretes por mensagem de texto aumentam o comparecimento em relação a não enviar lembrete: nos estudos analisados, a presença foi de 67,8% sem lembrete e de 78,6% com lembrete por mensagem. O efeito foi semelhante ao de telefonemas, e dois dos estudos registraram custo por comparecimento menor que o da ligação. Pedir uma resposta (confirmo/não poderei ir) tende a ser ainda mais útil, porque permite liberar a vaga: em um trabalho de especialização da UFRGS que revisou oito artigos das regiões Sul e Sudeste, o lembrete pelo WhatsApp com interação foi a estratégia com melhor resultado, enquanto um lembrete apenas informativo, testado em ambulatório pediátrico, não reduziu as faltas de forma significativa.

2. Facilite o cancelamento

O paciente que não pode ir precisa de um jeito simples de avisar. A própria PNR-SUS orienta que as informações estejam, preferencialmente, em sites, aplicativos — a exemplo do Meu SUS Digital — ou outros meios de comunicação direta, permitindo ao cidadão confirmar ou cancelar solicitações e agendamentos (Portaria GM/MS nº 9.262/2025, art. 39).

3. Reaproveite a vaga cancelada

Cancelamento avisado só vira ganho se a vaga for oferecida a outro paciente a tempo, respeitando a ordem da fila e as prioridades clínicas. Sem um processo de reencaixe, o aviso apenas antecipa a perda.

4. Mantenha o cadastro atualizado

Mensagem para número errado é falha de comunicação — e, em saúde, também um risco de privacidade. A PNR-SUS prevê mecanismos sistemáticos de atualização dos dados cadastrais dos usuários na gestão das listas de espera (art. 26, II).

5. Oriente o preparo

Instruções de jejum, documentos e horário enviadas antes do exame ajudam a evitar que o paciente compareça e não possa realizar o procedimento.

6. Integre o transporte sanitário

Para quem depende de transporte da prefeitura ou do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), confirmar a viagem junto com a consulta ajuda a evitar veículos com lugares vazios e pacientes sem condução.

7. Defina regras claras — sem restringir o acesso

Uma política municipal ajuda a padronizar o que acontece após uma falta. O decreto de Bertioga, por exemplo, prevê que o paciente que falta sem justificativa seja reposicionado ao final da fila, respeitados os casos de prioridade clínica devidamente comprovada e sem aplicação a urgências, emergências ou situações de risco à saúde, e que a falta justificada mantenha a posição sempre que possível, conforme avaliação técnica. O mesmo decreto deixa claro que essas medidas não podem restringir o acesso ao SUS, e atribui à Secretaria de Saúde o monitoramento dos índices de absenteísmo.

Uma alternativa para automatizar a confirmação e o reencaixe

As medidas 1, 2, 3, 5 e 6 dependem de comunicação ativa com centenas ou milhares de pacientes por mês — algo difícil de fazer por telefone com equipes reduzidas. A solução de Saúde e Fila Inteligente da Geni Chat é uma das alternativas para automatizar esse ciclo pelo WhatsApp, funcionando junto aos sistemas que o município já utiliza:

  • mensagens de confirmação 48 e 24 horas antes da consulta ou do exame, respondidas com um toque;
  • registro imediato do cancelamento e liberação do horário;
  • reencaixe automático: a vaga é oferecida ao próximo paciente, respeitando as prioridades clínicas e a ordem da fila definidas pela regulação;
  • confirmação de presença no transporte sanitário e no TFD;
  • lembretes de preparo e indicadores de confirmação, cancelamento e faltas;
  • tratamento dos dados de saúde conforme a LGPD.

Como nem todo paciente usa WhatsApp, o canal deve complementar — e não substituir — o contato por telefone e o atendimento presencial.

Em Águas de Lindóia (SP), município de 18.277 habitantes, a Central de Regulação iniciou em 2026 a primeira etapa do projeto: notificações pelo WhatsApp para exames e consultas de especialidades, em que o paciente pode confirmar ou cancelar o atendimento. Segundo relato publicado neste blog, as primeiras mensagens tiveram taxa de abertura de aproximadamente 86%.

Quer saber quanto o absenteísmo custa ao seu município? Faça a simulação ou agende uma demonstração.

Fontes